quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Essência




Paços leves, toques suaves e arrepios amistosos cingem-me à essência ainda agora despertada. Sentindo o perfume emanado, seguindo o amor não brotado, eu deixo-me envolver. Pouco me importa os contornos que poderás ter em mim,  os limites que possas ultrapassar, a amargura que mais tarde me possa abarcar, quero vivenciar o sabor inalcançável, a liberdade insaciável, a exaltação jubilosa que me delimitará e que me levará ao encaixe da minha almejada  essência, tu.
 Não há vidas sem desequilíbrios, não há amor sem lágrima brotada, sem fúria vivida, sem felicidade gritada, sem alma perdida.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pranto






As bolhas continuam a fervilhar em mim, a tentar transbordar-me, a tentar transbordar as incertezas e as expectativas à medida que elas se desenvolvem no mundo que eu abarco. Contemplar é o que me tem restado, aperto é o que me tem sobrado, e aqui continuo eu, à entrada da porta onde nunca vou entrar, a procurar um caminho onde me isolar, e a fingir algo que na realidade não sou eu. Lágrimas brotam na face de alguém que não entende, não se entende a si, nem ao que a envolve, lágrimas brotam na vida de alguém, que mesmo não sabendo se sobrevive, ainda se move.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cansaço




Sinto constantemente que estou a viver algo que não é meu, um caminho que não devo seguir mas que de alguma forma que  me suplica para ir ao encontro dele. Deleito-me sempre sobre o mesmo sentimento de querer fazer algo mais, mas as pernas pesam, o corpo dói e alma está desgastada.  Há momentos em que não sinto força para me levantar, para erguer esta misera criatura que de mim se apoderou, há momentos em que peço ao tempo que me dê alento para procurar o trilho com a resposta certa e não empurrar-me para o incorrecto. A resposta está em nós, disso estou ciente, mas já não há corpo que aguente esta dor que cresce quente e me afasta de tudo aquilo em que nós cessou.
 Já não há chão que suporte a quedas a que me sujeito, nem coração latente que aguente o amor no qual me deleito.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Ao encontro da paz



Cessarei de tentar fugir, cessarei com a busca de um amor que não existe e de um coração que não subsiste. Procurarei na minha vida algo que me abstraia e que me faça verdadeiramente feliz pois estou farta deste rio oscilador que me atira sempre para fora de mim. Renasce em mim a vontade de algo melhor, algo melhor que eu, que tu, que este amor inexistente e fervente que em mim teima em suscitar, que o calor que está presente nas palavras latentes efervescentes que redijo para me deleitar. Procurarei na minha vida algo, algo difícil de encontrar, algo que encontro em mim, que não encontro em ti : Estabilidade.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Puzzle incompleto



Foste uma peça que me caiu, a chama que em mim se acendeu, e a luz que na minha vida se ergueu. Não vale a pena tentarmos juntar as peças quando elas próprias se tendem a afastar, quando à partida não há uma tentativa sincera de tentar construir algo.
Por mais peças que juntasse o puzzle ficava incompleto, por mais empenho que dedicasse não era suficiente. Estou cansada e desgastada desta angústia interna que não cessa de doer, deste amor que não existe mas que tenta nascer. Vou fugir, fugir para um mundo onde esta emoção não vá desflorescer para um mundo onde o amor viva sem morrer.

sábado, 12 de janeiro de 2013


Alma pequena e moribunda que acompanhas o meu passo, que me embala, que me comprime; em ti embate o meu cansaço.
O melhor , talvez, seja encobrires-te deste corpo que tão pouco já te pode dar, deste corpo que tentou encaixar-se na tua melodia e com ela ser somente feliz. Mas que felicidade é essa que teima em pelas nossas mãos escapar? Que felicidade tão fugaz que nem dela podem aproveitar. Queria puder ir mais longe, que fossemos mais longe, mas mantendo-nos sempre ao nosso alcance de maneira a não irmos longe de mais e para que tenhamos forma de retornar.
Não temos que nos restringir ao que banalmente é feito, à nossa monotonia, ao nosso vulgar e fatigado dia-a-dia que nos envolve num rio de intuições, pois não é esse o nosso destino (se é que este existe), não é isso o que ambicionamos. Ambicionamos a felicidade, e essa não a pudemos deixar fugir ou esconder-se de nós, temos de prende-la ao sitio de onde ela nunca saiu : do nosso coração.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Time Flies

É complicado tentar expressar uma fala que não sai, um som que não é audível, uma palavra vazia que se perde no espaço. Ainda não é concebível transformar um nada num tudo , memórias em amor e fantasias em benevolências que não subsistem.Todavia nada me impedirá de alcançar os meus objetivos, de atravessar um mar em pura tempestade, pois no que há de mais profundo em mim , eu sei que há uma luz que me salvará , uma moral que se eternizará, e um novo amanhecer no escuro da ignorância. Procuramos incessantemente uma correspondência amorosa, uma metade, algo que se encaixe a nós como uma luva, uma compreensão constante ; procuramos aí o ponto de abrigo e fazemos desse algo a nossa dependência, centramos a nossa mente pouco ou nada alinhada com o nosso coração e seguimos essa crença quimérica cegamente, como se esse nada fosse o nosso tudo.Esquecemos a nossa existência pois ela passa a meramente secundária, dias e noites sádicas perdidas com algo inalienável. Deixei de me agarrar aos zeros benefícios que me envolviam e ás utopias que no fundo eu sabia que não tinham sentido, não direi que não tenho saudades da capacidade de tocar a melodia que me foi dada, mas é com orgulho que hoje sei que a prioridade em mim, serei eu mesma. Procurei incessantemente essa correspondência, mas hoje a única pessoa que procuro é a mim mesma, sei que tudo o que perdi na verdade nunca foi meu, por isso não me arrependo, mas não irei deitar mais gotas em algo que já á muito transbordou, não deixarei um coração repleto de afeições se unir a outros espíritos igualmente quiméricos e não deixarei o objeto usado cair novamente num pano sujo.O vento levou tudo o que á muito já perdurara, o vento levou a ferida que nunca expirava e o amor que nunca viveu, o vento levou o teu amor e com ele juntamente o meu.