sexta-feira, 9 de setembro de 2011

In The Mirror


Olho-me ao espelho, deleito-me no reflexo, no reflexo desse alguém que um dia deixou fugir a existência que tinha nas mãos.
Esse alguém que agora não passa duma miragem de um passado inacabado e de um futuro cativante. Deixei escorregar esse alguém sem pensar uma vez em voltá-lo a apanhar. Esse alguém que cuja vida agora o fascina, esse alguém cujo o amor lhe suscita vida e apazigua a mágoa. Esse alguém que hoje não é ninguém sem ti.
O relógio toca solenemente dentro dos meus ouvidos como do bater do coração se tratasse. As baladas começam a fazer sentido, começam a relembrar-me de que é hora de partir, hora de deixar esta sequência de sensações que teima em suscitar em mim.
É hora de erguer o nosso tempo, erguer o tempo em que somos nós os reis do nosso mundo, o tempo em que não importa se os outros compreendem, se aceitam, se acham ético ou correcto, pois este é o nosso tempo de glória e vou dançar com ele, num mundo que é teu, que é meu, que é nosso.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eu sou



Eu sou aquilo que escrevo, aquilo que penso, sou aquilo que lês, aquilo que não lês. Sou o caderno escrito e rescrito mil e uma vezes repetidamente sobre ti, sou o caderno que não lês, a carta que não vês. Sou um mistério opaco de inefáveis índoles que um dia me farão tremeluzir.
Tiro a capa a mim própria mas só vejo inúmeras locuções desordenadas que teimo em reconstruir, reconstruo-o fazendo outro caderno, um livro, o meu livro, a minha história, a nossa história, aquela que não lês, aquela que não vês.
Corria-me vida nas veias que era diariamente desperdiçada. O teu solene andar, os teus profundos olhares fazem-me querer-te cada dia mais, quero explorar, quero explorar esse tempo moribundo que me faz entrar em frenesim com um só toque. O amor nunca me pareceu tão cristalino como até agora, nunca me pareceu tão límpido até hoje .Hoje quero levar-te por mundos musicais, hoje, quero que a minha melodia, sejas tu.

domingo, 31 de julho de 2011

Realidade

Deleitada em exíguos pensamentos, recordo-me que o que não me mata, torna-me mais forte.
Embrenhada em ínfimos pensamentos, deparo-me com a realidade de que o que foi, não volta, que temos que viver com a realidade por mais dura que ela seja; e por mais dor que nos cause, temos que aceitá-la.
Nunca ninguém disse que a vida era fácil, ela não é. Aliás, a vida é bela, nós é que damos cabo dela.
A vida é um labirinto colossal com apenas uma saída, dentro desse labirinto não há assim tantos esconderijos, e os que há não duram muito tempo, pois mais tarde ou mais cedo, a realidade vence a ilusão e a razão o coração.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Livro

Diariamente me deleito sobre o livro que outrora começara a redigir , é quase como que algo me fizesse deparar com ele todos os dias fazendo suscitar em mim a vontade de o concluir. Odeio incutir a mim mesma que ele não é suficientemente digno de algo mais que ultrapasse um fólio que qualquer pessoa escreve, mas a verdade é que é isso mesmo que sinto. No entanto é insaciável a vontade que penetra nos meus poros e me obriga a dirigir ao pequeno e pomposo livro outrora alguém escolheu dar vida.
E assim dirijo-me a ele cambaleando no estreito e vasto corredor que á minha frente se encontrara. Afasto-me do mundo em que me encontro, afasto-me da realidade que me envolve, e por puros e inefáveis momentos, sou realmente feliz.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Anywhere over the rainbow

Luzes encaminham-se em meu auxilio tentando iluminar esta alma abarcada pela nostalgia que a consome e que tal como a torna mais forte, a vai abatendo aos poucos.
Afasto-me das luzes preferindo a escuridão por segundos, preferindo não ver nada do que ver a desgostosa realidade que me envolve.
Uma parte de mim anseia por partir, anseia para que o dia chegue e me leve daqui, pois eu sei bem que lá estou melhor que aqui, pois sei bem que lá será tudo mais fácil, no entanto e em contrariar a vontade imperativa que a minha mente expele, aparece o meu débil coração procurando um motivo para ficar.
Lá apaziguarei a minha dor e lá jamais caprichosamente uma lágrima escorrerá nas minhas faces sem aviso prévio.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Little dream


Rodeada nas luzes da ribalta assim eu me encaminhava para o pequeno palco que á minha frente se encontrara, os meus pés começaram a estremecer e solenemente na minha cabeça começou uma melodia que veio em meu auxilio no intuito de me acalmar.
Dirigi-me ao pequeno piano onde apenas uma exígua luz nele insidia , sentei-me delicadamente no banco de seda e senti rapidamente o cheiro que havia no ar, era um cheiro pomposo. Num ápice estimulante e delicado os meus dedos fizeram magia fazendo ecoar na colossal sala um melodia hipnotizante, a melodia do amor.